quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O GRANDE LANCE...


O GRANDE LANCE...
Nunca poderia imaginar que aquilo estava acontecendo comigo, realmente em termos de satisfação pessoal era a glória.
Sempre gostei muito de futebol, e quando pequeno meus amigos diziam que eu jogava muito bem, mas estar ali no Macaranã, numa decisão da Taça Libertadores da América era realmente o máximo.
E o melhor era estar defendendo o meu time de coração, o Vasco da Gama.
Não seria fácil o jogo e, eu sabia disso, principalmente jogando contra um time da Argentina, nossa eterna rival.
Em todo o campeonato havia feito diversos gols e, sabia que estando sendo considerado um dos melhores atacantes da atualidade, a minha responsabilidade era muito maior.
Mas lá estava eu e, confesso que quando entrei em campo senti um arrepio que me tirou o fôlego. Olhei calmamente em toda a arquibancada, e fazendo um giro de trezentos e sessenta graus em volta de mim mesmo, sem tirar a chuteira do chão, percebi como o "Maraca" estava superlotado.
Via que em quase toda sua totalidade, a camisa preta com faixa branca, e em outros casos a branca com faixa preta, era de uma intensidade que me despertava um misto de alegria e de desespero.
O que mais me alegrava era ter no meu peito a Cruz de Malta, que parecia bater aceleradamente como o meu coração.
Havíamos ganho o primeiro jogo em La Paz, e na pior das hipóteses o empate nos daria o campeonato.
Enfim o jogo começou, corria desesperadamente para conseguir me desmarcar dos adversários, mas com uma marcação dura, a cada momento que me desvencilhava de um, vinha outro dar cobertura.
Mesmo sendo centroavante, por diversas vezes, vinha ajudar o meio de campo, e até a defesa, pois aquele era o jogo da minha vida.
Mas num desses ataques fulminantes, levamos um gol, o "Maraca" ficou em silêncio e eu interiormente assumi para eu mesmo toda a responsabilidade.
Na volta do intervalo, o técnico depois da preleção, me chamou no canto, e disse que acreditava no meu potencial.
Meu amigo, aquilo mexeu mais ainda comigo, e tinha certeza de que poderia fazer pelo menos um gol, e levar a taça com o empate.
Foi num lance inusitado que recebi a bola na intermediária, que driblando dois, cheguei cara a cara com o goleiro, e tentando me esquivar do mesmo, fui praticamente atropelado.
Ouvi o apito do juiz, e me virando para trás sabia que o penalt havia sido marcado.
Aquele lance era meu, seria o meu grande lance, e todos os meus companheiros concordaram. Pegando a pelota com carinho, coloquei-a na marca do penalt, e me afastei alguns passos. Olhei nos olhos do goleiro e já sabia até em qual canto iria bater.
Avancei para a bola, e chutei.
Aiiiiiiiiii!!!!....
Chutei a cama.
Acordei aos gritos, com a minha mulher mais assustada ainda, e hoje com a perna ainda engessada, continuo fazendo o tratamento para o sonambulismo que me atormenta a muito tempo.
Mas esta não foi a pior parte, o pior de tudo é que isolei a bola e o meu Vasco foi vice até no meu sonho...

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